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sexta-feira, 1 de março de 2013

Tudo o que você queria saber sobre a Cirurgia das Amígdalas ...

Muitos pacientes tem me perguntado sobre a cirurgia para a extração das Amigdalas ou Amigdalectomia.São perguntas que variam em um amplo espectro de respostas e com isso, resolvi montar este tópico para que vocês possam aprender um pouquinho sobre esse procedimento.

Vamos lá:

1) É uma cirurgia simples??
    Não considero nenhum procedimento cirurgico como simples, pois estão envolvidos nele riscos relacionados a qualquer tipo de cirurgia, como por exemplo, a anestesia, que no caso da  amigdalectomia , é a geral. Tecnicamente é uma cirurgia não muito complexa, daí a impressão de ser simples. Otorrinos mais antigos utilizavam uma técnica de extração muito peculiar, na qual o paciente ficava sedado e a amígdala era removida em questão de segundos, porém hoje em dia, a técnica sob anestesia geral é a mais recomendada, por ser mais segura e se ter mais controle do procedimento.

2) Qualquer pessoa pode operar?
    Desde que não existam riscos anestésicos ou outros problemas de saúde que contra indicariam qualquer cirurgia, sim.

3) Hoje em dia ela ainda é realizada??
   Sim, e muito, porém menos do que antigamente, já que atualmente o tratamento clínico evoluiu bastante.

4) É usado o laser?
  Já se tentou a remoção via laser, mas os resultados não foram muito satisfatórios e o método da incisão com bisturi, elétrico ou não, ainda é o mais utilizado.

5) Como é a cirurgia?

Remoção da amígdala esquerda na visão do cirurgião, de ponta cabeça
Paciente preparado para início da cirurgia,com abridor de boca
   Tanto em adultos como em crianças, a cirurgia segue sempre o mesmo padrão.
   O paciente é anestesiado e deitado é entubado para a anestesia geral. Todo esse procedimento de entubação e indução anestésica, além da própria cirurgia, são feitos com o paciente inconsciente, logo, você não verá, não sentirá nada até o momento que  se encerrar a cirurgia e a anestesia.

  Com o paciente já anestesiado e preparado, o otorrino abre a boca do paciente mantendo-a aberta durante todo o procedimento e através dela realiza incisões em uma região chamada pilar anterior amigdaliano, um região lateral do palato, onde ele consegue acessar o plano perfeito para a dissecção da amígdala. Uma de cada vez, ele vai " soltando" a amígdala até a remoção.


Durante esse processo, em pacientes adultos principalmente, podem ocorrer sangramentos que são controlados com compressão local, pontos ou cauterizações com bisturi elétrico. Após a remoção da amígdala, é feito o controle de sangramentos com suturas ( com fios absorvíveis, logo não precisará remover pontos no pós operatório) ou cauterização elétrica. O mesmo processo é feito na outra amígdala.
  O tempo da cirurgia varia de médico para médico e de paciente para paciente, mas em geral não é um procedimento muito demorado.
 Se você realizou a cirurgia no período da manhã,você geralmente irá receber alta no final do dia, caso não ocorram intercorrências. Paciente que operam a tarde podem ficar até o dia seguinte no Hospital para a alta, mas essa conduta  pode variar dependendo do Hospital onde se realizou a cirurgia

6) E a recuperação, como é??
   Pelo fato da garganta ser uma região muito sensível, a dor é o principal sintoma no pós operatório, tanto em adultos ou crianças,mas em geral dói muito mais nos adultos, pelo fato da amígdala estar mais "grudada" na idade adulta e ocorrerem maiores chances de sangrar. Se você vai operá-las se prepare: vai doer, você não vai comer nada nos primeiros dias e até vai emagrecer. Depois vai melhorando a dor. Podem ocorrer pequenos sangramentos, com sangue misturado na saliva, nos primeiros dias e até um pouco de febre. Muitas crianças até não falam por receio da dor, o que gera uma falsa idéia de que também muda o padrão vocal ou atinge as cordas vocais.

7)Tem uma melhor época do ano para operar?
  Não, a melhor época é o paciente que decide de comum acordo com seu médico.

8) Quais são as complicações que podem ocorrer depois?
Placas de fibrina no pós operatório 
 A principal complicação que pode ocorrer é a relacionada a sangramentos orais.Como eu já disse antes, pequena quantidade de sangue misturado na saliva é normal nos primeiros dias, mas sangramento intenso, que enche uma toalha de uma só vez de sangue é sinal de hemorragia e o cirurgião deve ser contatado. O paciente pode vomitar sangue digerido durante a cirurgia nas primeiras horas do pós operatório, o que é  previsível.
 O aspecto visual da garganta no pós operatório pode preocupar alguns pacientes, pois podem ocorrer inchaços da campainha ( uvula) ou até pequenos hematomas no céu da boca, além das placas de fibrina ( ver foto à direita), que são secreções esbranquiçadas que ficam no lugar das amigdalas e que se parecem com pus ( na verdade são sinais de cicatrização local).

Espero que essa pequena explicação tenha ajudado vocês.
Qualquer dúvida mandem comentários que responderei em breve, com prazer.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Respostas em relação aos comentários sobre a cirurgia da carne esponjosa

Li todos os comentários postados em relação a esse post ( que pode ser lido aqui), na qual algumas pessoas estão com dúvidas sobre os procedimentos. Como infelizmente pelo site eu não consegui comentar cada um pessoalmente a cada indivíduo, eu vou expor aqui as dúvidas e darei as respostas.

1) Dor no nariz perto do olho tendo operado o mesmo há 8 meses:
          Olha, nesse caso fica difícil avaliar o que ocorre, porém, pela localização dos sintomas relatados, a paciente pode ter desenvolvido algum tipo de sinusite crônica. A avaliação desse caso deve ser feita através do exame pelo Otorrino e , se necessário, solicitação de Tomografia Computadorizada de seios da face e Nasofibroscopia para um completo panorama do caso, a fim de se instituir o tratamento. Logo, procure o Otorrino e faça uma consulta.

2) Cirurgias e preços:
   Gente, fica antiético eu dar valores de cirurgias pela internet. Não é  de meu feitio isso, já que cada médico cobra um valor dependendo da situação. Infelizmente até o presente momento, não realizo cirurgias pelo SUS

3) Filha de 13 anos com a Carne:
   O fato de uma pessoa respirar pela boca, babar e roncar não necessariamente implica no fato que ela tenha carne esponjosa. A rinite, por exemplo, dá esse tipo de problema. Logo, precisa ser avaliada a possibilidade ou não de ter, mas pela idade, provavelmente não, já que a Adenóide atrofia com a puberdade, mas como diz o velho preceito médico: " na medicina quanto no amor, nem nunca..nem sempre,...". Em relação ao pós operatório, depende muito da cirurgia realizada, da tecnica feita e do problema da pessoa. Logo, a questão abre muito se a gente for explicar se o nariz pode ficar inchado nesse momento.

4) Carne esponjosa, desvio de septo ou adenoide?
  Já comentei várias vezes por aqui ( basta ler as postagens antigas) sobre as diferenças entre eles sabendo que costumam dar os mesmos sintomas. A definição da cirurgia ou não vai depender da intensidade do problema, de qual é o problema e da falha em um possível tratamento clínico

5) A  Escova progressiva e a Rinite
  O contato com produtos químicos pode gerar um processo inflamatório no nariz ( daí o aspecto rosado) e iniciar uma série de sintomas característicos da Rinite. O tratamento é longo, o paciente tem que ter paciência, e o contato com esses produtos químicos deve ser evitado. O ronco pode aparecer às custas da Rinite, também, pois a mesma provoca um inchaço dos cornetos nasais, estruturas que temos dentro do nariz, que obstruem a passagem de ar quando edemaciadas, levando a respiração bucal e portanto, o ronco.

6) Sangramentos no pós operatório:
 Quaquer tipo de sangramento em pós operatórios nasais deve ser comunicado ao otorrino cirurgião para as devidas orientações. Cada caso é um caso. Se o seu nariz sangrar muito no pós operatório de uma cirurgia nasal, na qual enche uma toalha de uma só vez como hemorragia, vá até o hospital na qual você foi operado e peça para comunicar seu médico.

 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A cirurgia da Carne Esponjosa!!!!

Até que enfim chegou esse momento..o momento da retirada da carne que aflige os narizes de todo o mundo! A Carne esponjosa!!!

Como eu já disse em outros posts( que você pode clicar aqui, aqui e aqui ), o termo designa vários problemas e a solução, em alguns casos cirúrgico, depende da Carne de origem. Mas veja bem..a opção de operar ou tratar com remédios depende do Otorrino..cada um tem uma visão, pois são seres humanos diferentes, ok?

Vamos lá:

1) A Carne no Papel da ADENÓIDE: A adenóide pode ser operada quando o tamanho é tão grande ( evidenciado em Raio X ou Nasofibroscopia) que seria muito difícil de tratar com remédio. Logo, não se perderia tempo em esperar sua atrofia na puberdade em detrimento de uma boa respiração nasal na infância e crescimento facial adequado
 A cirurgia:Sob anestesia geral ( sim, é com anestesia geral), retira-se a adenóide pela boca do paciente. Geralmente é tecnicamente tranquilo e de baixa duração cirúrgica quando feita isoladamente ( em muitos casos, opera-se a amigdala e a adenoide e aí o tempo cirugico aumenta), mas é sempre considerado um procedimento importante pelo fator anestesia e idade do paciente ( a maioria crianças de 2 a 6 anos, na média).
O pós operatório: Quando opera-se só a Adenóide é mais tranquilo, deve-se evitar esforço físico e alimentos muito quentes, além de evitar fazer força com o nariz( assoar, cutucar..)


2) A Carne no Papel dos Cornetos e Desvio de Septo: Como já foi explicado em outro post, que você pode ler aqui , pode-se operar o desvio de septo e os cornetos, dependendo da intensidade dos mesmos e também da ineficácia do tratamento clinico prévio ( lembre-se , isso varia de Otorrino para Otorrino). Para isso é bom avaliá-los com exame clinico e subsidiario ( como a tal da nasofibroscopia e a Tomografia de Seios da Face)
A cirurgia: Também com anestesia geral ( sim ,também), os cortes são realizados todos por dentro do nariz, onde é removido a porção do septo nasal que está "torta" e não o septo inteiro. No mesmo ato cirúrgico, remove-se parte dos cornetos , diminuindo seu tamanho (  a hipertrofia). Pode-se operar com uma Câmera por dentro do nariz ( veja a imagem do lado, vendo pela câmera , como se corta um pedaço do corneto na cirurgia chamada de Turbinectomia), o que nos tempos atuais diminuiu o sangramento nasal no pós operatório
O pós -operatório: Por falar nele, o pós op ( termo médico) pode variar de acordo com o uso do Tampão ou não.  O Tampão nasal consiste em um material que é colocado dentro do nariz depois do fim da cirurgia ( com o paciente ainda anestesiado) com o objetivo de estancar o sangramento nasal, já que o nariz  é uma estrutura muito vascularizada. Seu uso  antigamente era mais rotineiro, mas com o passar dos anos e com a melhora dos instrumentos cirúrgicos, ele foi menos utilizado, restringindo-se àqueles casos que , mesmo após todas as medidas possíveis serem feitas, o nariz continua sangrando antes do Otorino terminar a cirurgia. O principal cuidado com a cirurgia do Septo e dos cornetos é o sangramento pós operatório. Não costuma doer esse pós op, mas o sangramento e o nariz entupido no início do tempo de pós op podem acontecer. Para evitar o sangramento é orientado que o paciente evite fazer esforço físico, assoar o nariz, espirrar de boca fechada e ficar no sol, até o seu médico autorizar esses atos.

3) A Carne no Papel do Pólipo Nasal: O Pólipo  nasal vai merecer um tópico a parte em breve por aqui, mas vale adiantar que ele é um inchaço da parte interna do nariz, muitas vezes associado a alergia intensa, que provoca o entupimento  do nariz ( de um lado ou dos dois). Existe tratamento clínico e cirúrgico para ele.
A cirurgia: A cirurgia para a polipose ( o termo médico) é feita por dentro do nariz ( não se faz nenhum corte por fora) através de uma câmera ( endoscópio nasal), onde se opera visualizando na TV ( como uma laparoscopia, entende?..não?? sabe quando opera a barriga olhando a TV..? Não?? Põe no Google..), e o seu pós op e ato cirúrgico é muito semelhante à cirurgia dos cornetos e do septo ( normalmente também se opera essas estruturas no caso da Polipose)
O pós operatório: vide o tópico do Septo..é igual

Vale lembrar que essa explicação é bem resumida. Cada caso é um caso. A presença de um Desvio de septo por exemplo não é sinônimo de cirurgia.. Precisa-se avaliar a consequência dele na dinâmica da REspiração ( que bonito isso..vou usar mais vezes). Então sempre converse com Seu Otorrino.

 Outro detalhe ..se você operar o Desvio de septo e fizer uma cirugia plástica junto..o pós operatório é diferente, hein?!?! Aqui eu detalhei somente o aspecto da chamada cirurgia funcional..

Espero ter ajudado a esclarecer suas dúvidas..comente e divulgue isso para todos aqueles que também queiram tirar algumas dúvidas.  Comente aqui embaixo suas experiências e dúvidas! Até!!